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Mulheres sindicalistas constroem política e fazem história na CUT

Data publicação: 17/10/2015    Autor: Marcell    Categoria: NewsPaper

Foi com muita emoção e com o palco do plenário principal do 12º CONCUT lilás e 100% feminino, que nesta quinta-feira (15) foi aprovado por unanimidade as resoluções do 8º Encontro Nacional das Mulheres da CUT, que aconteceu em Brasília em Março deste ano.

 

Políticas para mulheres do campo, da cidade, da floresta e das águas, como o tema da violência, direitos sexuais e reprodutivos, creche pública de qualidade, igualdade salarial e a ratificação da convenção 156 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata do compartilhamento das responsabilidades domésticas, foram discutidos durante o "Encontro da Paridade" que reuniu mais de 600 sindicalistas.

 

"Como o encontro não foi deliberativo precisamos aprovar nos congressos, estaduais (CECUTs) e nacional (CONCUT), o caderno com as resoluções, que definem as ações do próximo período para que seja inserido nas resoluções do 12º CONCUT. 

 

A CUT, como a única central do mundo e a mais democrática, foi a primeira a implantar a paridade na sua direção, fato que nos leva a ter grandes compromissos com as demandas das mulheres trabalhadoras", explicou a secretária Nacional de Mulheres Trabalhadoras, Rosane Silva.

 

O encontro teve debates sobre as políticas públicas e o papel do estado na vida das mulheres, definição das estratégias e ações para dar visibilidade e reconhecimento a contribuição social, político e econômico das mulheres disputando outro modelo de desenvolvimento com inclusão social, superação da desigualdade e contra a opressão que as mulheres sofrem cotidianamente no mundo do trabalho e na sociedade.

 

Rosane Silva reitera: “não queremos paridade como número apenas, a paridade é uma política. Queremos condições objetivas para atuar no movimento sindical. E quando falamos em condições, estamos dizendo que a CUT deve incorporar esta luta no seu dia a dia, porque essa não é uma luta só de mulheres, é uma luta da Central”.

 

A CUT aprovou no 11º Congresso, em 2012, a paridade de gênero, 50% de mulheres e 50% de homens em sua direção, e desde lá a entidade teve o compromisso de discutir as políticas e os desafios de todos e todas no próximo período.

 

Rosane citou a conquista da aprovação da PEC das domésticas, que iguala a categoria com outras na questão de direitos trabalhistas. Rosane explicou que é uma conquista das mulheres e com recorte racial, já que esta categoria tem em sua base mais de 80% de mulheres negras. 

 

 “Foi uma luta da CUT com a CONTRACS e com as trabalhadoras domésticas do nosso país que tivemos esta grande vitória neste ano. É a CUT dizendo que ela representa a classe trabalhadora e que enquanto todos os trabalhadores e as trabalhadoras não tiverem direitos garantidos a CUT continuará lutando”.

 

Rosane contou que todas mulheres CUTistas construíram a paridade e o caderno de resoluções com muita unidade e solidariedade. "Portanto a gente consolida o primeiro passo para a igualdade neste momento que elegeremos a direção com paridade".

 

Nesta sexta (16) será eleita a nova direção executiva paritária da CUT nacional, que estará à frente da entidade nos próximos 4 anos.

As mulheres comemoram a conquista com a música Maria Maria do Milton Nascimento e Fernando Brant  e cobriram a plateia uma bandeira da cor lilás com os dizeres: Igualdade, liberdade e autonomia.

 

Resoluções do 8ºEncontro Nacional das Mulheres da CUT

 

As mulheres construíram coletivamente, durante o 8º Encontro Nacional, resoluções que inclui a defesa da Petrobrás, Reforma Política e a Democratização da Comunicação.

Confira abaixo as principais resoluções:

- Sensibilização das direções dos ramos e sindicatos sobre a paridade

- Mapeamento da quantidade de mulheres na CUT

- Paridade nas delegações em todos os fóruns da CUT

- Secretarias de Mulheres das Estaduais devem participar da coordenação dos CECUTs

- Formação sobre o tema, para poder viabilizar a discussão de gênero nos sindicatos CUTista – com envolvimento de homens e mulheres

- Lutar por creche nos sindicatos e nas mesas de negociação

- Pensar uma política de enfretamento contra o assedio moral e sexual no movimento sindical e no trabalho

- Formação sindical – estruturar curso de formação na CUT sobre a luta feminista, abordando a luta das mulheres na CUT, com recorte racial.

- Implementação do Plano Nacional de Saúde Integral da Mulher

 

Despedida de Rosane Silva

 

Depois de aprovado o caderno de resoluções das mulheres cutistas, a presidenta da CUT, Carmen Foro, fez questão de homenagear a secretária de Mulheres Trabalhadoras, Rosane Silva, que termina seu mandato nesta sexta (16).

“Seu compromisso de alma com o projeto de igualdade e com a CUT deixará marca na história desta central, a paridade é só um passo. Nós sairemos do congresso e vamos construir as bandeiras das mulheres e lutar pela divisão igualitária dos cargos de poder da nossa central. A paridade não é só um número!”.

Rosane emocionada falou que sairá da CUT outra pessoa, outra mulher. “Eu saio mais fortalecida e aguerrida para continuar a luta com mais igualdade, socialista e feminista”, finalizou a dirigente.

 

 

Escrito por: Érica Aragão/CUT Nacional

Tags: MULHERES, POLÍTICAS, CUT